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Geral - 16/05/2019

Vereadores do RS participam de cursos com sorteios para atrair políticos; MPC vê irregularidade

Vereadores do Rio Grande do Sul vão a cursos com sorteios para atrair políticos, que usam verba das Câmaras Municipais para viajarem e participarem. Levantamento do Ministério Público de Contas (MPC)aponta que, no ano passado, os Legislativos municipais gaúchos somaram R$ 15 milhões em gastos com diárias, o que gera distorçõesem algumas cidades .

De acordo com o procurador-geral do MPC, Geraldo Da Camino, os sorteios são irregulares. "Alguns gestores podem escolher determinado treinamento movidos também – e isso não é uma generalização, mas pode ocorrer – pela expectativa de obtenção de prêmios", afirma o procurador.

"Entendo que fere a moralidade administrativa e que há um desvio de finalidade potencial, uma vez que pode induzir a realização de despesas até desnecessárias. Em tese, pode ensejar pedido de devolução de valores", acrescenta.

Um vídeo de um dos sorteios mostra um homem jogando para cima vários papéis, com os nomes dos concorrentes. Uma jovem pega no ar um deles. O prêmio, um automóvel, foi entregue a oito vereadores de Mampituba, Litoral Norte do estado, que fizeram um bolão.

O sorteio foi realizado em Brasília, neste mês, no seminário chamado Marcha dos Vereadores, promovido pela União dos Vereadores do Brasil (UV B). Para concorrer, cada político pagou R$ 30 por um cupom, fora a inscrição no curso.

O presidente da entidade, o gaúcho Gilson Conzatti, admite que o sorteio buscou atrair os políticos. "O que nós buscamos fazer: levar público. Não com o sorteio, mas é um atrativo. Eu não posso esconder isso. É um atrativo que a UVB faz, mesmo sendo por uma adesão", explica Conzatti.

Questionado se o atrativo não deveria ser o conteúdo do seminário, concordou. "Com certeza, nossos conteúdos são os melhores", afirmou.

No mês passado, em Porto Alegre, o vereador André da Costa (PDT), de Pinheirinho do Vale, no Norte do estado, ganhou uma moto no primeiro curso que participou depois que venceu a eleição.

"Nem fui buscar ainda. Não tive tempo de buscar. Já me ligaram para dizer que já está pronta, emplacadinha", disse o político.

Indagado se não seria mais coerente que a moto ficasse com a Câmara, já que se inscreveu no curso com dinheiro do parlamento, Costa cogitou vender o veículo e doar o valor.

"Tudo depende. Vamos ver. Daqui a pouco a gente vende a moto e já doa o dinheiro para a Câmara, ou deixa para a Câmara, mas vamos ver o que vamos fazer, se vamos doar ou não, vamos ficar. Mas dizem que a sorte não pode se vender", brincou.

Moradores da cidade afirmam que, no lugar do vereador, não ficariam com a moto. "Eu daria para a Câmara de Vereadores. Pagando a inscrição, é deles, foi eles que me pagaram, não tem porque ficar para mim", disse o motorista Vilmar da Silva.

"Dou para a Câmara de Vereadores, para eles fazerem um sorteio para nos ajudarem", disse a aposentada Adelina Almeida Neres.

O sorteio, que também entregou uma televisão, foi realizado durante um curso promovido pela empresa Capacitar. Cada vereador pagou até R$ 580 pela inscrição.

Dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE) mostram que a empresa faturou, em dois anos, quase R$ 500 mil em inscrições bancadas pelas Câmaras. Entre os alunos, está o vereador Leonardo Vargas (PTB), de Rosário do Sul, Região Central do estado. O mesmo que ganhou diárias duas vezes porque além de vereador, é motorista da prefeitura.

"Estes cursos que a gente faz, muitas vezes eles atraem de qualquer forma. Às vezes dão brindes, dão cuias, dão térmicas", justifica, negando sentir-se instigado pelo sorteio. "Não, não vou a cursos por sorteio de moto. Participo de cursos para ter especialização."

Outro aluno da Capacitar é Carlos Nilo (PP), de Santana do Livramento, Fronteira Oeste do estado, que recebeu diárias para participar de um curso de "coaching", conjunto de habilidades que podem ser aprendidas e desenvolvidas na vida pessoal e profissional, porém, não soube dar esta definição ao ser questionado pela reportagem.

"Na verdade, eu nunca participei desses sorteios. porque eles fazem sorteios geralmente em finais de ano. Nunca participei. Nunca pensei em julgar, se é certo ou errado. Não vejo também por que fazer, por que não fazer", disse o parlamentar.

A reportagem da RBS TV procurou a responsável pela empresa Capacitar, Izabel Paludo, mas ela não respondeu às ligações.

G1 RS

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